Aprendizagem
Motiva??o para come?ar a estudar com metas f?ceis
— Entenda como esforço e recompensa influenciam sua motivação para começar a estudar e como usar metas fáceis para criar uma rotina e aumentar o desafio aos poucos.
· 7 min de leitura
Você decide voltar a estudar, mas vinte minutos já parecem exigir um esforço enorme. Passar no vestibular ou terminar a faculdade é importante para você, só que esses objetivos não tornam a tarefa de hoje automaticamente mais atraente. A motivação para começar a estudar passa também pelo esforço que você sente agora e pela recompensa que consegue perceber.
Se você nunca teve uma rotina de estudo ou está retomando depois de muito tempo, uma estratégia útil é começar com metas fáceis. Assim, você consegue praticar antes de exigir de si o ritmo de quem já estuda há bastante tempo.
Como esforço e recompensa entram nessa decisão
Uma forma de entender a motivação é pensar na relação entre a energia que uma atividade exige e o que você espera receber em troca. Você pode se dispor a fazer um esforço quando percebe um benefício que vale a pena. Se a tarefa parece muito custosa e o retorno parece pequeno, a vontade de começar tende a diminuir.
Recompensa, nesse contexto, pode ser conseguir algo que você considera bom ou evitar uma consequência desagradável, como uma punição. Essa avaliação nem sempre coincide com o que você consegue explicar racionalmente sobre a importância da tarefa.
Pela perspectiva evolutiva, economizar energia em ambientes com poucos recursos pode ter favorecido a sobrevivência e a reprodução dos nossos ancestrais. Essa é uma possível explicação para a importância da relação entre custo e benefício no comportamento. Para entender sua dificuldade de estudar, ela funciona como um modelo de análise, sem explicar sozinha todas as suas decisões.
Três propostas de corrida com resultados diferentes
Imagine que você não costuma fazer atividade física e recebe uma proposta para correr. Neste exemplo, considere que vinte reais têm pouco valor como recompensa para você. A mesma quantia pode ter outro peso para outra pessoa.
- R$ 20 para correr 10 quilômetros. Sem treino, você prevê um esforço grande e talvez nem consiga terminar o percurso. Como o prêmio parece pequeno, a tendência é recusar. A lição é observar quando você está exigindo muito de si para receber algo que, naquele momento, parece pouco recompensador.
- R$ 20 milhões para correr os mesmos 10 quilômetros. O esforço continua alto, mas a recompensa passa a ser enorme para você. Sua disposição para tentar provavelmente aumenta, mesmo sem a certeza de completar a corrida. Um benefício percebido como muito valioso pode mudar sua decisão diante da mesma dificuldade.
- R$ 20 para correr apenas 10 metros. O prêmio volta a ser pequeno, mas o esforço também cai bastante. Nesse cenário hipotético, você tende a aceitar porque a relação parece favorável. Reduzir a exigência pode tornar uma atividade atraente mesmo sem aumentar a recompensa.
No segundo cenário, mudou o prêmio. No terceiro, mudou a distância. Essa distinção ajuda você a pensar no estudo, porque aumentar a recompensa percebida e diminuir o esforço são maneiras diferentes de tornar o começo mais viável.
O que esses cenários mostram sobre estudar
Quando você começa a estudar, pode ter pouca familiaridade com o conteúdo, ainda não conhecer técnicas e encontrar dificuldade para manter a concentração. Ao mesmo tempo, o estudo em si talvez não traga muita satisfação. A tarefa exige bastante antes de você perceber algum retorno.
- Muito esforço e pouca recompensa. Você até consegue estudar por força de vontade durante algum tempo, mas pode ter dificuldade para sustentar esse ritmo. Se esse é o seu caso, vale rever o tamanho da exigência inicial.
- Muito esforço e uma recompensa grande. Quando o resultado tem valor suficiente para você naquele momento, a disposição para estudar pode compensar a dificuldade. Esse caminho é possível, mas depende de você perceber a recompensa como algo relevante agora.
- Pouco esforço e uma recompensa pequena. Você ainda não sente grande satisfação ao estudar, mas a tarefa ficou fácil o suficiente para valer a tentativa. Para começar, você pode buscar esse cenário diminuindo a dificuldade da meta.
Entre os alunos que me procuram com dificuldade para começar, percebo com frequência que a recompensa ainda parece distante. Você pode dizer que quer passar no vestibular ou se formar na faculdade e, mesmo assim, não sentir vontade de estudar hoje. Reconhecer o valor de um resultado futuro não garante que ele seja uma recompensa forte no momento de abrir o material.
Por isso, se você está nessa situação, tentar aumentar a exigência contando apenas com o objetivo final pode tornar o começo mais difícil. Diminuir o esforço inicial oferece um caminho que você consegue ajustar à sua condição atual.
Se a recompensa do estudo ainda parece pequena para você, reduzir o esforço da primeira meta pode tornar o começo mais viável.
A mesma tarefa pode exigir menos esforço com a prática
O esforço também depende do seu preparo. Imagine o exercício de bíceps na academia, usando dez quilos como exemplo de uma carga que, para você, seria difícil no início.
- No começo do treino, os dez quilos podem exigir muito esforço, a ponto de você não conseguir executar bem as repetições. A dificuldade mostra sua condição naquele momento, e ajuda você a escolher uma exigência compatível com ela.
- Depois de um período de treino, imagine um ano, um ano e meio ou dois anos, os mesmos dez quilos podem parecer bem mais leves. A carga continua igual, mas seu preparo mudou. O exemplo ajuda você a perceber que a dificuldade atual de uma tarefa pode mudar com a prática.
No estudo, vinte minutos também podem parecer pesados quando você ainda não tem hábito, técnica ou familiaridade com a atividade. Com a prática, essa mesma duração pode exigir menos esforço percebido. Você passa a ter mais experiência para realizar uma tarefa que antes era difícil.
Pense também em uma sessão de dez minutos repetida ao longo dos dias e das semanas. Ela pode se tornar mais familiar, mas essa mudança não precisa acontecer a cada sessão nem seguir uma queda regular. Você não tem como concluir, depois de estudar uma única vez, quanto mais fácil será estudar amanhã.
Essa adaptação pode ajudar tanto na motivação quanto na continuidade do hábito. O esforço que você sente hoje serve para ajustar o começo, sem determinar para sempre quanto você será capaz de estudar.
Comece com metas fáceis e aumente conforme ganhar prática
Facilitar a tarefa e praticar atuam em momentos diferentes. Você pode reduzir a exigência da meta inicial agora. Já a familiaridade com o estudo se desenvolve conforme você repete a atividade ao longo do tempo.
Para quem está começando, faz sentido usar uma meta pequena o suficiente para conseguir realizá-la. Você precisa ter oportunidades de estudar e perceber que consegue cumprir o que propôs, antes de aumentar a dificuldade.
No começo, dê prioridade a uma meta de estudo que você consiga cumprir e repetir; aumente a exigência conforme ganhar prática.
Essa progressão pode seguir uma sequência simples.
- Escolha uma meta fácil para o seu momento. Se você está sem prática, mantenha a exigência inicial baixa para conseguir começar.
- Cumpra a meta e continue praticando. A familiaridade pode reduzir o esforço, e perceber que você consegue concluir a tarefa pode trazer alguma satisfação.
- Aumente o desafio aos poucos. Conforme você ganha prática, ajuste a meta para avançar sem dar um salto de exigência que ainda não consegue sustentar.
As durações de dez e vinte minutos são exemplos para comparar esforço. Você pode usá-las para entender a ideia sem transformá-las em uma duração obrigatória de estudo.
Ajuste o compromisso ao seu ritmo atual
Se você pretende acompanhar o curso Como Estudar e Aprender, o compromisso inicial depende da rotina que já consegue manter.
- Se você está começando ou retomando, assista às aulas e faça as atividades propostas. Esse compromisso simples permite praticar com metas fáceis, sem exigir de imediato um volume de estudo para o qual você ainda não tem preparo.
- Se você já mantém um bom ritmo, preserve seu fluxo atual. Ao acompanhar o curso, procure entender os mecanismos discutidos e incorpore as técnicas uma a uma, conforme fizerem sentido para você. Essa base será útil para trabalhar atenção e técnicas de estudo mais avançadas.
Começar pequeno é uma orientação para facilitar o início quando ele está difícil. Se a sua rotina já funciona, você pode continuar com ela enquanto aprende outras maneiras de estudar.
Escolha o dia e o horário do seu próximo estudo
O próximo passo é pensar nos ajustes práticos que tornam o estudo mais fácil e natural. Para acompanhar esse processo, defina em que dia e horário da semana você pretende assistir às aulas do curso Como Estudar e Aprender.
Se você está começando, essa é a atividade inicial. Depois, acompanhe as aulas e execute as tarefas propostas, mantendo o compromisso compatível com o seu momento. Se você já estuda com regularidade, encaixe esse aprendizado no ritmo que consegue manter.
Você pode acompanhar o curso gratuito Como Estudar e Aprender pela playlist abaixo e colocar em prática as atividades à medida que avança.
